Detalhes e Pormenores

Archive for the ‘Poema’ Category

Estudar é muito importante,

Mas pode-se estudar de várias maneiras…

Muitas vezes estudar não é só aprender

O que vem nos livros

O que há nas escolas.

É também aprender a ser livre,

Sem ideias tolas.

Ler um livro é muito importante,

Às vezes, urgente.

Mas os livros não são o bastante

Para a gente ser gente.

É preciso aprender a crescer,

Aprender a estudar.

Aprender a crescer quer dizer:

Aprender a estudar, a conhecer os outros,

Ajudar os outros,

A viver com os outros.

E quem aprende a viver com os outros

Aprende a viver bem consigo próprio.

Não merecer castigo é estudar.

Estar contente consigo é estudar.

Aprender a terra, aprender o trigo

E ter um amigo também é estudar.

Estudar também é repartir,

Também é saber dar

O que a gente soube dividir

Para multiplicar.

Estudar é escrever um ditado

Sem ninguém nos ditar,

E se um erro nos for apontado

É sabê-lo emendar.

É preciso em vez de um tinteiro,

Ter uma cabeça que saiba pensar,

Pois na escola da vida,

Primeiro está saber estudar.

Ary dos Santos

Deixem passar quem vai na estrada,

Deixem passar

Quem vai cheio de noite e de luar.

Deixem passar e não lhe digam nada.

Deixem, que vai apenas

Beber água de Sonho a qualquer fonte;

Ou colher açucenas

A um jardim que ele lá sabe, ali defronte.

Vem da terra de todos, onde mora

E onde volta depois de amanhecer.

Deixem-no pois passar, agora

Que vai cheio de noite e solidão.

Que vai ser

Uma estrela no chão.

 

Miguel Torga, in Diário I

601Alvao[1]

Só a natureza é divina, e ela não é divina…

Se às vezes falo dela como de um ente

É que para falar dela preciso usar da linguagem dos homens

Que dá personalidade às coisas,

E impõem nome às coisas.

 

Mas as coisas não têm nome nem personalidade:

Existem, e o céu é grande e a terra larga,

E o nosso coração do tamanho de um punho fechado…

 

Bendito seja eu por tudo quanto não sei.

É isso tudo que verdadeiramente sou.

Gozo tudo isso como quem sabe que há lá sol.

 

Alberto Caeiro

bebes070

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente connosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional…

Carlos Drummond de Andrade

(imagem da net)

 

MULHERES

 

Elas sorriem quando querem gritar.

Elas cantam quando querem chorar.

Elas choram quando estão felizes.

E riem quando estão nervosas.

 

Elas brigam por aquilo que acreditam.

Elas levantam-se para injustiça.

Elas não levam “não” como resposta quando

acreditam que existe melhor solução.

 

Elas andam sem novos sapatos para

suas crianças poder tê-los.

Elas vão ao medico com uma amiga assustada.

Elas amam incondicionalmente.

 

Elas choram quando suas crianças adoecem

e se alegram quando suas crianças ganham prémios.

Elas ficam contentes quando ouvem sobre

um aniversário ou um novo casamento.

 

Pablo Neruda

 

Dedicado a todas as mulheres que enfrentam o dia a dia com força e coragem…

 

(oferta da RS enferm@gempedi@trica)


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Pudera eu ter o dom de um poeta ou músico... para ser capaz de colocar em verso ou melodia o sentimento e o valor de uma amizade!

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