Detalhes e Pormenores

Archive for Setembro 2008

Na obra As Leis um dos discipulos dizia ao mestre”Parece-me que receias entrar nessas questões por causa da nossa ignorância.” Ao que o mestre responde: “Muito mais recearia tratar com pessoas que tivessem estudado tais coisas, porém mal. No caso, não é a ignorância das multidões a mais perigosa, nem a mais temível, nem o maior dos males, mas estudar com métodos viciosos é um mal muito maior.” (Leis 818s)
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“Pensar á aprender a ser livre, responsável e honrado. Pensar é esforço e inconformismo, para com o mundo e também para consigo mesmo. Pensar é duvidar e criticar, não de forma altiva ou presunçosamente, mas pelo desejo do bem comum. Pensar é ter o tempo de poder fazê-lo. Pensar não é repetir ou reproduzir. Pensar é activar o que de mais nobre há no ser humano, por que pensar também é sentir e intuir…penso, logo vivo. Viver é encontrar seu próprio caminho e evitar permanentemente a tentação do fácil. O fácil é não pensar.”
Nora K.

“In time of change, learners will inherit the earth, whilst the learned will find themselves beautifully equipped to deal with a world that no longer exists.”

Hoffer

“A journey of a thousand miles must begin with a single step”

Provérbio chinês

Martha Nussbaum (1995) em Poetic Justice procede a uma crítica social centrada na sociedade americana, mas válida para a sociedade liberal ocidental. O seu alvo preferencial é a racionalidade marcadamente utilitarista que tem vindo a dominar a razão de Estado nas diferentes esferas de deliberação.
A poética do mal social, Martha Nussbaum reconhece que falta um ingrediente essencial de humanidade na lógica racionalista dominante que pode ser denominado de visão poética do mundo. A intuição poética de artistas e escritores é a que melhor capta a essências das coisas, podemos ver no trabalho de enfermagem um contributo valioso para nos ensinar a olhar o mundo de modo mais verdadeiro.
Neste livro, o pensamento de Martha Nussbaum está investido de um dinamismo reformador que a leva da crítica do utilitarismo à proposta de uma alternativa viável para a racionalidade pública. Lança assim as bases do que poderia surgir como um novo iluminismo, em que a razão iluminada pela luz da imaginação poética seria capaz de um pensamento verdadeiro sobre o mundo e sobre a vida, propiciador de escolhas e decisões adequadas à construção da sociedade justa a que todos aspiramos. A literatura assume no projecto de reforma de M. N. um papel central em quanto meio privilegiado de fazer trabalhar a imaginação e de cultivar a humanidade. É a filosofia que fornece os fundamentos desse projecto e define o enfoque das estratégias a seguir.

O Anjo que em meu redor passa e me espia
E cruel me combate, nesse dia
Veio sentar-se ao lado do meu leito
E embalou-me, cantando no seu peito.

Ele que indiferente olha e me escuta
Sofrer, ou que, feroz comigo luta,
Ele que me entregara a solidão,
Poisava a sua mão na minha mão.

E foi como se tudo se extinguisse,
como se o mundo se calasse,
E o meu ser liberto enfim florisse,
E um perfeito silêncio me embalasse.

Sophia de Mello Breyner

Aqueles que não podem domesticar-se
“Já perguntaste a ti mesmo porque é que a raposa, capturada viva, definha e morre na prisão, sejam quais forem os cuidados e a ciência em oferecer-lhe o alimento específico? Por que razão o pardal também não suporta o cativeiro e qual o instinto – mais forte do que a necessidade de viver – impele algumas espécies a deixar-se morrer de fome, em vez de se acomodarem em cercados e grades?
Concluis filosoficamente: «Não vivem em jaulas…não podem domesticar-se!»
E pensaste que o mesmo sucedia com as crianças, pelo menos com essas – e a proporção é maior do que se julga – em que o treino ou o atavismo não conseguiram resignar à obediência e à passividade: ouvem sempre distraidamente as palavras pronunciadas e, olhar vago, fitam, para além das grades…da janela, o mundo livre de que mantêm sempre a nostalgia. Dizes: «Estão na lua…» Estão na realidade, na realidade da sua vida, e és tu que passas de lado, com o teu vacilante coto de vela.
Não fazem, propriamente, a greve da fome, e teríamos ainda de nos certificar de que certas perturbações ou certas epidemias não são consequência de uma perda de vitalidade de um organismo que já não está no seu elemento. Porém, a greve de fome intelectual, espiritual e moral é patente, embora inconsciente. Essas crianças sentiam uma curiosidade inextinguível fora da gaiola; dentro, já não têm fome. Acusas, em vão, a falta de vontade, a inteligência reduzida, uma distracção congénita de que os psicólogos e psiquiatras estudam as causas e os remédios.
Elas definham, muito simplesmente, como os animais capturados. Se nem sempre morrem – fisiológica e intelectualmente – não é decerto por falta de medidas de vigilância e de coerção da parte dos carcereiros, mas porque a escola, até esse dia, não pôde fechar-lhes os domínios e porque os pardais, encerrados uns instantes, se distraem de novo, logo que a sineta toca, na riqueza viva da grande experiência humana.
Claro, há o êxito dos que se «domesticaram». Será porém, mais espectacular do que o dos homens e mulheres que recusaram a prisão, mesmo dourada, e que na vida se revelaram lutadores em face dos elementos?
Então devemos deixá-los na selva da ignorância e renunciar a essa cultura nascida da Escola e que se recusam a aceitar?
O dilema está mal posto: entre o estado selvagem e o adestramento, existe, como intermediário, a criação de um clima, de uma atmosfera, normas de vida e trabalho em comum, uma educação que exclui a mentira e a manha e esse medo instintivo, essa insuportável obsessão doa animais selvagens e das crianças por verem fechar-se, por trás deles, as portas da luz e da liberdade.”
Freinel, in “A Pedagogia do Bom Senso”

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Pudera eu ter o dom de um poeta ou músico... para ser capaz de colocar em verso ou melodia o sentimento e o valor de uma amizade!

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