Detalhes e Pormenores

Sistemas de Triagem no SU Pediatria

Posted on: Setembro 21, 2009

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O Sistema de Triagem de Manchester é o sistema de triagem secundária mais usado nos serviços de urgência no Reino Unido e na Europa, tendo sido estabelecido em 1994 baseado na opinião de peritos (Roukema et al, 2006). Usa protocolos baseados em queixas presentes e questões sobre factores agravantes, tendo sido desenhado para priorizar a urgência de ser observado, mas não necessariamente para determinar a severidade da doença (Manchester Triage Group UK, 2006).

Logo após a chegada e do respectivo registo no serviço de urgência, o enfermeiro triador procede a uma avaliação inicial baseada em critérios pré determinados, triando o cliente de acordo com o nível de urgência e o máximo de tempo de espera.

Vários estudos demonstraram a validade do STM na correlação com as fontes de utilização, hospitalização e verdadeiros cuidados urgentes. O STM tem especificidade moderada (78%) e sensibilidade (63%) no cuidado de urgência pediátrico (Roukema et al, 2006). O problema é que a validade é dependente num standard elevado que é contrário aos resultados esperados, por exemplo a permanência no serviço de urgência pediátrico, a admissão em cuidados intensivos e a morte (Twomey et al, 2007), isto significa que não é preditivo destes resultados.

A inclusão de valores fisiológicos ao STM previne a admissão nos cuidados intensivos apenas num pequeno número de clientes (Subbe et al, 2006).

A triagem no serviço de urgência pode aumentar o tempo de espera do cliente, principalmente em problemas triviais que poderiam ser resolvidos rapidamente, mas que são categorizados como não urgentes. Como resultado do alvo de 4 horas de espera máximo estabelecido em 2004, houve um significativo aumento no tempo de triagem quando os clientes eram triados para a especialidade ou activamente eram “vistos e tratados” na triagem (Lyons et al, 2007). Iniciativas como a criação de uma equipa de triagem trouxeram eficiência ao serviço de urgência, assim que reduziram os tempos e a permanência dos casos menos graves, aumentando a satisfação dos clientes e permitindo a concentração dos médicos nos doentes gravemente doentes (Subash et al, 2004; Travers & Lee, 2006).

Nos EUA, é usada uma grande variedade de sistemas de triagem secundária nos serviços de urgência, como a escala de trauma pediátrico modificada (mPTS), a Soterian Rapid Triage, Emergency Severity Index (ESI) e a Canadian Paediatric Triage and Acuity Scale (PaedCTAS).

A Modified Paediatric Trauma Score (mPTS) usa sinais físicos e fisiológicos básicos na triagem do serviço de urgência, para avaliação inicial de crianças com trauma (Simon et al, 2004). Usa uma escala modificada de cinco pontos avaliando a integridade ventilatória, feridas abertas, estado neurológico, hemodinâmica e integridade do esqueleto, aplicando 1 ponto a cada critério. A mPTS de 5 representa o grupo de baixo risco de doença grave e, a mPTS abaixo de 5 é considerado um sinal positivo.

O mPTS original foi criado por Simon et al baseou-se em 1112 clientes, tendo uma sensibilidade de 67% (ISS<10) o que diminuiu a necessidade de activação da equipa de trauma. O mPTS tem um valor preditivo negativo de 99% (identifica a maioria dos clientes que requerem procedimentos urgentes ou admissão nos cuidados intensivos e mortalidade) mas valor preditivo positivo pobre de 31% (Simon et al, 2004).

Nars et al em Toronto (Nars et al, 2007) modificaram o sistema Simon numa escala de 7 itens para incluir contusões da cabeça/torso e história de perda de consciência (Sick Kids Paediatric Trauma Score). Quando aplicado à sua população em estudo isto aumentou a sensibilidade do mPTS para 99% comparando com os 92%, reduzindo a activação da equipa de trauma em 20%.

Muitos estados americanos adoptaram um sistema de triagem com cinco níveis para uniformizarem a escala de triagem, estratificando os clientes em cinco grupos, de 1 (mais urgente) a 5 (menos urgente) baseado na acuidade e nos recursos necessários (Maningas et al, 2006). Dois dos comuns sistemas de triagem com cinco níveis em uso na América do Norte hoje em dia são o Emergency Severity Índex (ESI) e o Canadian Emergency Department Triage and Acuity Scale (CTAS). Uma revisão sistemática de escalas de triagem descobriu que ambas possuem um valor proporcional adequado mas nenhuma foi validada para uso clínico (Fan et al, 2005; Rosenam et al, 2006).

O ESI é a única que avalia a acuidade e os recursos necessários. A acuidade é determinada pela estabilidade dos órgãos major e os recursos necessários definidos pela triagem de enfermagem. O algoritmo de triagem é baseado em 4 pontos de decisão chave: O cliente está a morrer? O cliente pode esperar? Recursos necessários e sinais vitais do cliente. O cliente é então estratificado em 5 categorias de acordo com a mobilidade (Elshove-Bolk et al, 2007).

O Canadian Paediatric Triage and Acuity Scale (PaedCTAS) é uma modificação do CTAS e é baseado na avaliação fisiológica e queixas presentes que assinala os níveis de triagem (Govin et al, 2005). Cinco níveis de triagem relacionados com o grau de severidade da doença e o tempo para ser observado pelo médico, similar ao conceito do STM. Quase 50% dos serviços de urgência de Ontário implementaram o PaedCTAS no verão de 2004 (Sloan et al, 2005).

A Triagem no Futuro

O aumento de incidentes de actividade terrorista irá requerer que todos os profissionais de saúde estejam familiarizados e treinados em caso de catástrofe, inclusive na triagem específica para crianças. A ocorrência inevitável de pandemias, como a Gripe (Influenza, H1N1) também requer o planeamento da triagem pediátrica, tanto no serviço de urgência, como ao nível dos cuidados intensivos para priorizar adequadamente, aqueles que beneficiarão de cuidados de saúde.

A evolução constante das tecnologias da informação verá o desenvolvimento do correio electrónico, do telefone e da possível triagem por vídeo. A equipa de triagem terá também um importante papel, facilitando que os casos menos graves sejam observados por enfermeiras de urgência, o que permite um fluir mais rápido dos clientes pelo serviço de urgência. Isto requer profissionais de saúde competentes e experientes, com treino e conhecimentos em pediatria para suportar esta expansão de cuidados.

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Pudera eu ter o dom de um poeta ou músico... para ser capaz de colocar em verso ou melodia o sentimento e o valor de uma amizade!

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